Todos tem direito a ter opinião.
Eu posso ser a favor do que for, do casamento gay ao aborto, enquanto outra pessoa pode ser contra ambas as coisas.
Os problema em relação a essa dicotomia são dois. Primeiro: atualmente, na maioria das vezes, quem tem uma opinião, seja ela qual for, não respeita a do outro. Então da mesma maneira que muita gente tem um preconceito e quer impor isso a todos, muitos que são a favor de algo querem impor que todos sejam. E NÃO É POR AI. Ninguém é obrigado a concordar com você, por mais que você se ache com a razão.
Segundo: sobre emitir opiniões. Usando um exemplo muito simples: há uma diferença muito grande entre pessoas que dizem "não concordo com a homossexualidade, não gosto, não acho certo, mas não tenho nada a ver com isso, cada um que viva como achar melhor; se eu tiver um filho gay, não vou concordar, não vou ficar feliz, mas é meu filho e eu amo" e os que dizem: "odeio viado, isso é errado, não aceito, tem que apanhar pra virar homem, tinham que morrer todos, se meu filho for gay eu tiro de casa". É completamente diferente as formas de sentir e expor a opinião. Ninguém nunca vai concordar com tudo em uma sociedade, e não podemos viver uma ditadura de opinião.
Então, todo mundo tem direito de ser a favor e de ser contra qualquer coisa. Não é crime ter um ponto de vista. O que ninguém tem é o direito de impor qualquer uma das duas coisas á ninguem. E todo mundo tem a obrigação de observar o próprio discurso, pois opinião violenta em qualquer dos casos, seja pra defender ou pra criticar, é crime sim.
sábado, 27 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Do racismo
A maioria de vocês deve estar por dentro da mais recente polêmica do BBB: a esponja de louça cujos cabelos de um negro é a esponja. Isso dividiu a internet entre os que se sentiram ofendidos e aqueles que nos mandam "parar de ver racismo em tudo, pois a linha de esponjas também tem a rainha da Inglaterra, punks, e outros, e ninguém está reclamando. Então vamos lá.
Primeiro: Outros grupos não se incomodarem não quer dizer que não seja racismo aquilo a que estamos nos referindo. Se os punks não se importam, se a rainha da Inglaterra não se importa (lógico que não né, primeiro que o cabelo dela não tem nada a ver com isso, segundo: rainha, branca, inglesa e cristã... não tem com o que se sentir oprimida - além do fato de ser mulher - desculpa), não há o que se possa fazer.
Racismo não é medido pelo que outros grupos definem como sendo ou não. Se um negro vê preconceito em algo, nunca é sem motivo.
Pra quem passou a vida ouvindo que o cabelo parecia uma "bucha" ou um "Bombril", ver um boneco desses é pensar "olha, quem falava isso pra mim quando eu era criança (e até hoje) agora faz marketing". O sentimento é esse.
Pra mim é racismo. Porque eu me senti insultada.
Se os punks se importam, eles que se mobilizem, e quem mais tiver sido representado que se importa, que se mobilize. O movimento negro é o movimento NEGRO, lutamos por nos. Do mesmo modo que os gays lutam por eles. Claro que nós nos importamos com o que acontece na sociedade além dos nossos umbigos, mas por isso existem os movimentos, pra lutar por causas especificas. Eles que lutem por eles.
Imagina se em vez de uma bucha fosse um esfregão representado por uma pessoa branca e a parte do esfregão propriamente dito fosse os cabelos lisos e loiros. Ia ter gente com a cara de pau de falar de racismo inverso. Se fosse uma bucha de um homem de pijama listrado especial pra limpar o bujão de gás, imagina o quanto os judeus iam ficar revoltados com toda razão. É errado, todos os exemplos.
Não consigo deixar de ver racismo nisso. De ter vivido isso. Se você não vê, isso não muda nada.
Primeiro: Outros grupos não se incomodarem não quer dizer que não seja racismo aquilo a que estamos nos referindo. Se os punks não se importam, se a rainha da Inglaterra não se importa (lógico que não né, primeiro que o cabelo dela não tem nada a ver com isso, segundo: rainha, branca, inglesa e cristã... não tem com o que se sentir oprimida - além do fato de ser mulher - desculpa), não há o que se possa fazer.
Racismo não é medido pelo que outros grupos definem como sendo ou não. Se um negro vê preconceito em algo, nunca é sem motivo.
Pra quem passou a vida ouvindo que o cabelo parecia uma "bucha" ou um "Bombril", ver um boneco desses é pensar "olha, quem falava isso pra mim quando eu era criança (e até hoje) agora faz marketing". O sentimento é esse.
Pra mim é racismo. Porque eu me senti insultada.
Se os punks se importam, eles que se mobilizem, e quem mais tiver sido representado que se importa, que se mobilize. O movimento negro é o movimento NEGRO, lutamos por nos. Do mesmo modo que os gays lutam por eles. Claro que nós nos importamos com o que acontece na sociedade além dos nossos umbigos, mas por isso existem os movimentos, pra lutar por causas especificas. Eles que lutem por eles.
Imagina se em vez de uma bucha fosse um esfregão representado por uma pessoa branca e a parte do esfregão propriamente dito fosse os cabelos lisos e loiros. Ia ter gente com a cara de pau de falar de racismo inverso. Se fosse uma bucha de um homem de pijama listrado especial pra limpar o bujão de gás, imagina o quanto os judeus iam ficar revoltados com toda razão. É errado, todos os exemplos.
Não consigo deixar de ver racismo nisso. De ter vivido isso. Se você não vê, isso não muda nada.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Feminismo
O que me deixa mais puta com os argumentos de muitos homens sobre o feminismo, é que eles argumentam com base em coisa que eles não estão satisfeitos: "A mas e o alistamento militar obrigatório?" "vocês se incomodam com os esteriótipos de beleza femininos mas não dão tanta ênfase no mesmo problema em relação ao corpo dos homens", etc. Tudo muito legítimo em sua substância. Mas a grande questão é: nós lutamos contra essas coisas e contra MUITAS outras porque nos incomoda, nos oprime. Somos privadas de muito a muito tempo. Se vocês se sentem incomodados e oprimidos seja lá pelo que for, por que não se organizam também pra lutar contra isso? Não é mais simples, mais lógico e mais eficaz do que encher o saco toda vez que falamos alguma coisa?
Lutem vocês contra o alistamento obrigatório ou lutemos todos nós pra que tenhamos oportunidades iguais, porque nós ainda estamos lutando pra poder estar por livre e espontânea vontade nas forças armadas. Pesquisem e vão saber que só ANO PASSADO, em 2014 depois de muita LUTA tivemos a primeira turma de mulheres na marinha, na aeronáutica não é diferente. Critiquem vocês a objetificação e idealização dos corpos masculinos, porque nós já estamos fazendo isso. Nós já questionamos por que não há fraldários nos banheiros de vocês, entre outras questões que eu quase nunca vejo homens levantarem uma bandeira em CAUSA PRÓPRIA.
Ninguém além de nós luta pelo que nós queremos. E é muita pretensão querer que só com vocês seja diferente.
E sobre a louça pra lavar? Nossa... a famigerada louça pra lavar... se vocês não tiverem mais nenhum argumento, não usem esse. Podem ter certeza que das nossas pias cuidamos nós. Cresçam e vão vocês lavar suas próprias louças ao invés de criticar o que vocês não vivem.
Lutem vocês contra o alistamento obrigatório ou lutemos todos nós pra que tenhamos oportunidades iguais, porque nós ainda estamos lutando pra poder estar por livre e espontânea vontade nas forças armadas. Pesquisem e vão saber que só ANO PASSADO, em 2014 depois de muita LUTA tivemos a primeira turma de mulheres na marinha, na aeronáutica não é diferente. Critiquem vocês a objetificação e idealização dos corpos masculinos, porque nós já estamos fazendo isso. Nós já questionamos por que não há fraldários nos banheiros de vocês, entre outras questões que eu quase nunca vejo homens levantarem uma bandeira em CAUSA PRÓPRIA.
Ninguém além de nós luta pelo que nós queremos. E é muita pretensão querer que só com vocês seja diferente.
E sobre a louça pra lavar? Nossa... a famigerada louça pra lavar... se vocês não tiverem mais nenhum argumento, não usem esse. Podem ter certeza que das nossas pias cuidamos nós. Cresçam e vão vocês lavar suas próprias louças ao invés de criticar o que vocês não vivem.
quarta-feira, 22 de julho de 2015
"Não pode aqui"
Assisto, de manhã, a seguinte cena: um menino de no máximo 15 anos vendendo bala no metrô, entra um guarda: "não pode vender aqui." Ele sai. Enquanto o vagão está partindo é possivel ver os dois caminhando juntos em direção a saída.
A noite, o mesmo menino, no mesmo vagão que eu. Novamente assisto: "meu nome é Pedro, desculpem o incomodo. Minha irmã perdeu o emprego e minha mãe está doente. Estava vendendo bala de manhã e ofereceria pra vocês se os guarda não tivessem tomado elas tudo." Nesse ponto ele começa a chorar. "É muito humilhante ter que pedir mas se alguem puder me ajudar, que Deus abençoe". As pessoas se compadecem. As bolsas abrem, as moedas fazem barulho, ele recolhe agradecido: "Deus te pague". Ouço passos. Eu não vi o guarda no fundo do vagão, nem Pedro, mas ele viu: "não pode pedir aqui."
O menino agradece a todos e sai.
Não pode vender aqui. Não pode pedir aqui.
O que será que ele vai tentar agora? Tomara que a irmã consiga um emprego, espero não ver o rosto de Pedro estampado em um jornal qualquer se referindo a ele como "menor".
A noite, o mesmo menino, no mesmo vagão que eu. Novamente assisto: "meu nome é Pedro, desculpem o incomodo. Minha irmã perdeu o emprego e minha mãe está doente. Estava vendendo bala de manhã e ofereceria pra vocês se os guarda não tivessem tomado elas tudo." Nesse ponto ele começa a chorar. "É muito humilhante ter que pedir mas se alguem puder me ajudar, que Deus abençoe". As pessoas se compadecem. As bolsas abrem, as moedas fazem barulho, ele recolhe agradecido: "Deus te pague". Ouço passos. Eu não vi o guarda no fundo do vagão, nem Pedro, mas ele viu: "não pode pedir aqui."
O menino agradece a todos e sai.
Não pode vender aqui. Não pode pedir aqui.
O que será que ele vai tentar agora? Tomara que a irmã consiga um emprego, espero não ver o rosto de Pedro estampado em um jornal qualquer se referindo a ele como "menor".
sábado, 18 de julho de 2015
Para a sua segurança, não ultrapasse a faixa amarela
As pessoas deviam levar isso pra vida e ver que existe uma faixa amarela em tudo.
O cartão tem um limite que se ultrapassado pode nos endividar; o alcool, quando exageramos nos leva a coisas que jamais faríamos sóbrios. Comer mais do que podemos, dormir menos do que deveriamos, trabalhar e estudar mais do que conseguimos. Faixa amarela, de um passo pra trás.
Do mesmo modo, interiormente temos limites que devem ser respeitados: não se aproxime de mais dos medos, ansiedades e paranóias das pessoas pois você pode cair nos trilhos e ser atingido por um trem que nem viu chegar. Por outro lado, você pode facilmente ser esse vagão que atropela os outros, não intencionalmente, mas porque invadiram seu espaço: ultrapassaram sua linha amarela. O que se pode fazer é emitir avisos de segurança como o metrô: nessa tristeza você não mexe, nesse assunto por favor não toque, respeite minha fé, meu passado e o que quero do futuro. Mantenha a sí a ao outro seguro.
Quem sabe assim consigamos as vezes embarcar com segurança em um trem que nos leve a algum lugar.
O cartão tem um limite que se ultrapassado pode nos endividar; o alcool, quando exageramos nos leva a coisas que jamais faríamos sóbrios. Comer mais do que podemos, dormir menos do que deveriamos, trabalhar e estudar mais do que conseguimos. Faixa amarela, de um passo pra trás.
Do mesmo modo, interiormente temos limites que devem ser respeitados: não se aproxime de mais dos medos, ansiedades e paranóias das pessoas pois você pode cair nos trilhos e ser atingido por um trem que nem viu chegar. Por outro lado, você pode facilmente ser esse vagão que atropela os outros, não intencionalmente, mas porque invadiram seu espaço: ultrapassaram sua linha amarela. O que se pode fazer é emitir avisos de segurança como o metrô: nessa tristeza você não mexe, nesse assunto por favor não toque, respeite minha fé, meu passado e o que quero do futuro. Mantenha a sí a ao outro seguro.
Quem sabe assim consigamos as vezes embarcar com segurança em um trem que nos leve a algum lugar.
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Conto de fadas
No metrô, passa um homem: short e regata, bolsa de academia. Ninguém repara. Só um cara cuidando de sua própria vida usando as roupas que escolheu pra malhar: ninguém tem nada com isso.
Em seguida, entra uma moça: legging, tênis, regata. Bolsa de academia. Ela desce na estação seguinte, mas as roupas que ela escolheu são da conta de todos, que se perguntam, aos burburinhos, como essas "piriguetes" não sentem frio e se "pra malhar precisa mesmo disso".
E o machismo não existe, isso é tudo fantasia de mulher vitimista.
Em seguida, entra uma moça: legging, tênis, regata. Bolsa de academia. Ela desce na estação seguinte, mas as roupas que ela escolheu são da conta de todos, que se perguntam, aos burburinhos, como essas "piriguetes" não sentem frio e se "pra malhar precisa mesmo disso".
E o machismo não existe, isso é tudo fantasia de mulher vitimista.
segunda-feira, 6 de julho de 2015
"Somos todos Maju"
O recente caso de racismo na internet contra a apresentadora de meteorologia da rede Globo Maria Júlia, e a comoção do público que resolveu protestar subindo a tag "somos todos Maju" me fez refletir sobre as atitudes das pessoas tanto online quanto no cotidiano.
No dia a dia, muitos (disse muitos, não todos, veja bem) usam expressões como "nossa, que serviço de preto" se referindo a um trabalho mal feito ou "amanha é dia de branco", como se não tivesse sido os negros que trabalharam pra erguer o império. Você não é Maju.
Tem também o "você é tão bonita, porque não arruma/penteia/prende/alisa esse cabelo?" "Porque usa esses turbantes?". Você acha normal o núcleo negro da novela ser a vagabunda, a empregada, o bandido mau caráter, o ladrãozinho de viela? Ta enraizado. Você não é Maju.
Quando você vê um negro na rua, você muda de calçada, senta em outro lugar no ônibus porque ele parece suspeito e acha normal que a polícia pare mais negros nas blitz e que os enquadre mais na rua pelo mesmo motivo. Você não faz nada quando presencia uma situação de racismo.Você não é Maju.
Você tem vergonha de se auto declarar negro e se diz "moreninho/mulato/moreno escuro" ou se refere assim as pessoas pois acha que dizer que ela é negra é uma ofensa. Qual é a vergonha da sua cor? Da cor dos outros? É aquela que a parcela da sociedade que agora se declara como Maju colocou em você.
Muitos de fato se comoveram pois de fato são contra o racismo, acredito que muitos realmente sejam Maju em seu sentido mais amplo de luta e aceitação.
Mas a maioria não. A maioria tem que parar pra se analisar.
No dia a dia, muitos (disse muitos, não todos, veja bem) usam expressões como "nossa, que serviço de preto" se referindo a um trabalho mal feito ou "amanha é dia de branco", como se não tivesse sido os negros que trabalharam pra erguer o império. Você não é Maju.
Tem também o "você é tão bonita, porque não arruma/penteia/prende/alisa esse cabelo?" "Porque usa esses turbantes?". Você acha normal o núcleo negro da novela ser a vagabunda, a empregada, o bandido mau caráter, o ladrãozinho de viela? Ta enraizado. Você não é Maju.
Quando você vê um negro na rua, você muda de calçada, senta em outro lugar no ônibus porque ele parece suspeito e acha normal que a polícia pare mais negros nas blitz e que os enquadre mais na rua pelo mesmo motivo. Você não faz nada quando presencia uma situação de racismo.Você não é Maju.
Você tem vergonha de se auto declarar negro e se diz "moreninho/mulato/moreno escuro" ou se refere assim as pessoas pois acha que dizer que ela é negra é uma ofensa. Qual é a vergonha da sua cor? Da cor dos outros? É aquela que a parcela da sociedade que agora se declara como Maju colocou em você.
Muitos de fato se comoveram pois de fato são contra o racismo, acredito que muitos realmente sejam Maju em seu sentido mais amplo de luta e aceitação.
Mas a maioria não. A maioria tem que parar pra se analisar.
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