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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sobre o Pré Conceito.

Comecei esse texto por causa de uma proposta de trabalho do colégio que me fez refletir muito. O tema era "o preconceito com pessoas de olhos azuis". O que me fez pensar que esse termo é apenas uma expressão simbólica para uma série de preconceitos raciais e sociais ao longo da historia da humanidade. Todos pensamos que o preconceito consiste apenas em tratar mal alguém sem um motivo cabível, mas o termo e seu significado vão muito além disso. Se analisarmos a palavra, encontraremos Pré e Conceito, ou seja, uma ideia ou conceito sem uma opinião prévia. E essa opinião não precisa ser exatamente desmerecendo seu alvo, mas também é pela opinião precipitada que temos superestimado algumas características em nossa sociedade.
Desde sempre na sociedade existe uma divisão de classes, de deveres. Em Roma, tínhamos imperadores, plebeus e legionários, na idade média, tínhamos os pobres camponeses governados pelo clero e pelo rei, no inicio das grandes navegações, quando se começou a conhecer tipos diferentes de lugares e por consequencia, de pessoas, também houveram  choques culturais, que com o passar do tempo, resultaram em uma idéia formada por ambos os povos, nativo e colonizador, a respeito um do outro. Quando os portugueses  chegaram ao Brasil, eles encontraram os índios, e pela ingenuidade deles, se julgaram superiores. Os índios, por sua vez, ficaram fascinados com o estilo de vida europeu, já que tudo era novo pra eles, pois aqui não havia nada daquilo. Com o passar do tempo essa interação criou no índio um sentimento diferente.
 O mesmo pode ser visto em relação aos negros, até mais que dos índios, já que sua escravidão durou muito mais tempo. O branco se sentia superior e via o negro como não sendo um ser humano, e quando o viam assim, um ser humano não cristão, que por isso mereciam ser escravizados por negarem o cristianismo e terem suas próprias crenças "pagãs", eram considerados sem alma pela própria igreja. Não foram raras a catequisação tanto de índios como de negros. Mas tudo isso é só um marco inicial para o que viria a ser um mundo cheio de preconceitos.
 Depois de muitos anos escravizados, os escravos negros começaram a se revoltar quando a escravatura, um dos maiores exemplos dessa resistência é Zumbi dos palmares, que, em Pernambuco, formou o que podemos chamar de uma vila de negros fugidos e os incitava a rebelião, O quilombo de Palmares.
. A escravidão foi abolida em 1888 no Brasil, já tendo sido abolida em todos os outros lugares do mundo. Mas não foi por causa disso que os brancos e negros reviram os conceitos que tinham uns dos outros. Mais tarde,  na revolução industrial, o proletariado, explorado pelas mãos cruéis da burguesia também são uma amostra clara da desigualdade, e a lista não para.
 O ponto principal é o fato de que tudo isso não gerou preconceito apenas por parte dos opressores, mas também por parte dos oprimidos, e podemos ver traços disso na sociedade ate hoje. Um exemplo claro é que não é raro vermos pobres que odeiam ricos, não os que batalharam honestamente e chegaram onde estão, mas os que subirão pro meio da queda de outros, ricos detentores de riquezas sujas. Porque, na concepção deles, não é justo que pessoas assim sejam mais afortunadas e mais felizes do que eles que trabalham honestamente e muitas vezes não tem condições de comprar o essencial. Se vêem superiores, mais fortes e dignos em relação a esse tipo de pessoa. Outro exemplo simples é a aversão de alguns negros contra brancos. O negro muitas vezes se sente superior e vê o branco como um câncer em seu meio. Afinal, não foi o povo dele que foi escravizado, humilhado. Não são eles que precisam de cotas nas universidades e na maioria das vezes, salvo este exemplo, não são eles quem sofrem preconceitos. O lugar onde isso fica mais evidente é nas periferias, nas musicas de Rap, em que o orgulho da raça negra é exaltada. Um exemplo claro desse pensamento por parte da comunidade negra é a musica "capitulo 4, versículo 3" do grupo Racionais Mc´s. Onde ele conta a historia de um negro que a comunidade respeitava, até que ele começou a se envolver com os "branquinhos do shopping" que o levaram pra um caminho em que a vida dele como era antes, se transformou em algo totalmente diferente :

(...)Você vai terminar tipo o outro mano lá  que era um preto tipo A e nem entrava numa,  mó estilo de calça Kalvin Clein e tênis Puma, um jeito humilde de ser no trampo e no rolê,  curtia um funk jogava uma bola  buscava a preta dele no portão da escola.  Exemplo pra nós mó moral mó ibope  mas começou colar com os branquinhos do shopping...  aí já era... i mano outra vida outro pique, só mina de elite balada vários drink,  puta de butique toda aquela porra , sexo sem limite sodoma e gomorra. (...)

Outro com exemplo é o texto satírico abaixo:

Eu não aguento mais esse preconceito dos negros, como homem branco não tenho culpa de ter nascido branco. Só quem é branco sabe a m*rda que é você estar andando na rua à noite e ver uma pessoa desviando, mudando de calçada, porque tem medo do branquelão aqui. Tomar geral da polícia então, nem me fala... Eu já cansei, até queria fazer um GERALCARD pra que os PMs carimbassem a cada enquadro, aí juntando dez enquadros eles poderiam aliviar uma pra mim de graça. 
Um dia desses eu tava com o meu carro, estacionando, e a polícia me abordou em "atitude suspeita". Acharam que eu tava roubando meu carro. E ainda falaram "O que um brancão feito você tá fazendo em um carro assim?" Poxa, eu nem terminei de pagar meu financiamento!
Outra coisa que é foda de ser branco é pra arrumar emprego. Quando eu vejo no anúncio "boa aparência" (que é ilegal) ou "excelente apresentação pessoal", já sei que o brancão de cabelo liso aqui tá f*dido, vão escolher um negro, um asiático, qualquer um menos eu, porque branco só serve pra fazer faxina e ser segurança.  Na faculdade tem gente que veio querer saber se eu era cotista e vira e mexe rola uma piadinha com a minha cor e a minha competência. Eu sou obrigado a provar todo santo dia que tenho os mesmos direitos de um negro privilegiado que teve a sociedade inteira a seu favor desde sempre, maior injustiça do mundo! Como que um cidadão vai viver bem assim?
Os negros se uniram contra a gente de tal forma que existe todo um sistema para fazer a gente se sentir menor, inadequado, infeliz.  Minha irmã, que é bem clarinha também, um dia voltou chorando pra casa porque chamaram ela de branca fedorenta na escola. Nesse dia eu tive vontade de matar meio mundo, mas fiquei pensando em um branco na cadeia e acabei desistindo de apelar pra ignorância.  Acredita que já tentei escrespar meu cabelo, mesmo sendo homem? De tanto ouvir que meu cabelo liso era horroroso, lambido da vaca? Uma hora eu acreditei, né?
Mas hoje eu tô tentando assumir uma postura diferente na vida. Busquei informação, faço parte de um grupo maravilhoso de pessoas que discutem o papel do negro opressor na sociedade e passei a entender melhor que o problema não estava comigo, mas sim no racismo de gente que deveria saber que a cor da pele é só a cor da pele, por dentro a gente é carne, osso e sangue do mesmo jeito! Foi legal, estou me aceitando mais, é realmente importante ter um apoio nessa sociedade tão opressiva contra as pessoas de pele clara. O nome do grupo, se você quiser buscar ajuda também, começa com as letras KKK, procura no Google que aparece, vai lá tomar um suco com a gente! Pessoas mais lúcidas que elas, olha, ainda estou pra ver.  Ser branco não é fácil, mas a gente não deve desistir nunca!
(lola aronovich)

O texto reflete perfeitamente o pensamento do negro em ralação a sua própria situação e a do branco.
 E o preconceito que temos com as "pessoas de olhos azuis" se reflete na forma como muitas vezes pensamos que eles são melhores e mais felizes por causa de suas regalias e vantagens sociais. Exemplo disso é o fato de mais negros serem parados em blitz que brancos, como se por eles serem brancos, não tivessem aspiração a cometer crimes. Ou o fato de nos surpreendermos quando vemos um negro rico e bem sucedido, como se o sucesso fosse privilégio apenas da "raça ariana". Temos um enorme Pré Conceito em relação a essas pessoas de pele clara e muitas vezes nem nos damos conta disso.
 Pesquisei com algumas pessoas o que elas pensavam sobre o preconceito com pessoas de olhos azuis e elas simplesmente riram e em sua maioria disseram: onde já se viu uma pessoa de olhos azuis ser discriminada?
 Mas já vimos que somos muito preconceituosos em relação a essa distinta e privilegiada parcela da sociedade. Os olhos azuis representam o gene recessivo, a sorte recessiva. Sempre que vemos alguem de olhos azuis, nos admiramos e desejamos aqueles olhos, tão exóticos e raros, e a sociedade nada mais é do que isso: a supremacia da minoria sobre uma multidão que não percebe que ninguém precisa ser exaltado ou rebaixado. Mas que todos nós, olhos azuis e castanhos, nos vermos como somos: humanos.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A homossexualidade e a sociedade

 Sempre que eu vejo religiosos extremistas ou mesmo pessoas que se dizem "mente aberta" condenando os "pecados" dos outros, me pergunto se essas pessoas já pararam pra pensar nas próprias vidas.
Existe uma coisa em particular, sobre a qual essas pessoas adoram palpitar e vomitar preconceito: opção sexual. Já cansei de ver páginas, tanto normais quanto (principalmente) evangélicas, condenando os homossexuais por seu "estilo de vida pecaminoso". Quantos pelo mundo já não foram as ruas protestar, simplesmente pelo fato de não concordarem com o que os outros fazem de suas próprias vidas? E eu me pergunto: será que esse tipo de gente tem visto o mundo como ele é? Existem tantos problemas, tantos pecados, e mesmo assim, em relação á eles, as pessoas se mantem alheias.
  É certo que também é pecado roubar, mas eu não vejo um grupo furioso de evangélicos protestando em frente ao senado ou na frente da casa de seus pastores corruptos. Não vejo os católicos extremistas com cartazes em frente ao Vaticano protestando contra a pedofilia cometida por muitos padres. Pessoas comuns julgam a homossexualidade como se seus próprios "pecados" sexuais fossem mais dignos, aceitáveis ou mais justificáveis. Adoram dizer que a homossexualidade não constitui família, mas muitos vivem em devassidão, com um parceiro ou mais por noite a cada fim de semana. Que tipo de família isso tem gerado? Sou hetero, mas não sou cega, estou vendo o que tem acontecido no mundo.
A verdade é que nesse caso, não existe pecado maior ou menor. Se fossemos ver assim, já estaríamos todos condenados. Todos pecamos.
  Vejo que o governo e as próprias pessoas, o povo, muitas vezes absolvem e reintegram assassinos, bandidos e pedófilos na sociedade, em altos cargos públicos, mas pessoas cujo único crime e pecado são um amor diferente, são discriminadas e mortas todos os dias. E todo aquele papo de amor cristão? de "amai ao próximo"? Todo mundo gosta tanto de citar a bíblia... Deus nunca disse: amai seu semelhante. Disse: "amai ao próximo". E disse mais: "Se somente amardes os que vos amam, que mérito se vos reconhecerá, uma vez que as pessoas de má vida também amam os que os amam?" (Lucas, 6:32). Sei muito bem, e todos também sabem, que do ponto de vista religioso e bíblico, TODOS os temas que eu tratei aqui, são pecados. Você, hetero que vive em devassidão, não está menos propenso a ser condenado ao inferno do que acha que um gay está. Mas é fácil só ver o pecado nos outros e não em nós.
  Um jovem americano foi expulso do exército por ter um relacionamento com um colega e disse em entrevista: "recebi medalhas e honra por matar mais de 10 homens na guerra, e fui banido e julgado por ter amado um".
Tendo em vista outro principio religioso, outra citação bíblica: "quem nunca pecou que atire a primeira pedra" ou " só quem te pode julgar é Deus", Que direito temos nós de julgar o amor dos outros?

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A liberdade sexual e os estereótipos

 Vou começar o texto com uma pergunta: quais são, atualmente, os conceitos do que é bonito e aceitável e do que não é?
 Feita a pergunta, vamos entende-la. Hoje, postaram no facebook o video de uma mulher de calcinha e sutiã, dançando funk. Video apelativo e vulgar.
Isso é novidade pra alguém aqui? Acho que não. Motivo pelo qual não é novidade: se tornou normal. Agora, eu mencionei que a "dançarina" é gordinha e não condiz com os padrões com os quais todos estão acostumados? Por esse simples motivo, um video que seria muito mais um motivo de elogios que de criticas entre boa parte dos internautas se fosse uma mulher "gostosa" se apresentando, se tornou um video sobre o qual todos estão rindo e despejando criticas. Hipócritas.
 Não que eu ache justificável uma mulher chegar a esse nível degradante de necessidade de atenção e exposição da própria imagem, mas a questão aqui não é o que eu penso. A questão aqui são os fatos. E os fatos são os seguintes: nós vivemos em uma sociedade onde pouca coisa ou quase nada impera mais que os estereótipos e ideais de beleza. Enquanto se tem isso, uma mulher pode fazer praticamente tudo na internet ou em qualquer outro lugar, que pouca gente vai dizer alguma coisa. Agora tenta sair um pouco desses padrões. Eu me submeti a ver o video da gordinha dançando e um outro video, postado pouco depois, de uma dançarina de verdade, "como deve ser" dançando. Que diferença eu vi entre os dois vídeos? O corpo da bailarina. E isso foi tudo.
Fora isso, nada mudou: mesmo tipo de nome artístico apelativo, mesmo tipo de musica vulgar, mesmo tipo de dança, os mesmos passos, as mesmas jogadas de cabelo e olhadas "sensuais".
 Sendo assim, por que uma é exaltada como modelo enquanto a outra é ridicularizada? Por que a dançarina "molde" pode se sentir sexy, bonita, desejada e SATISFEITA com seu corpo, e uma mulher fora de todos esses padrões não pode? Ela só quis fazer exatamente o que a outra fez: se auto afirmar. Mas é incrível ver como os julgamentos foram diferentes.
 Vivemos em uma época "total flex", tudo é permitido. Temos liberdade de expressão de ideias, liberdade politica e liberdade sexual. Mas, se analisarmos realmente, nada disso é verdade. Nossas ideias, visão que temos do mundo e de nós mesmos, determinam nossa concepção de politica e de sexualidade. Por sexualidade eu digo: opção sexual, posse e domínio de nossos corpos.
Temos tudo isso, no entanto, grupos políticos continuam caçando a todo custo os opositores, homossexuais continuam sendo espancados e mortos todos os dias pelo modo de vida que levam, e pessoas que, tecnicamente, tem domínio sobre seus corpos, estão sendo julgadas cruelmente por quem não as acham "boas o suficiente" para fazerem o que fazem, por não se encaixarem nos estereótipos ditados.
 Isso, visto de um monto de vista histórico e sociológico, talvez fossa cômico se não fosse trágico. Afinal de contas, se voltarmos no tempo até o período clássico, podemos observar que os padrões de beleza eram totalmente diferentes (já viram um quadro de Vênus, Deusa da Beleza, idealizado naquela época?) e isso tinha um fundamento social. Naquela época, as mulheres gordinhas eram a tendencia, elas eram desejadas e vistas como superiores porque, se elas eram gordinhas, deduzia-se que elas comiam bem, e se elas comiam bem, logo, significava que elas tinham dinheiro pra fazer isso. Tudo estava relacionado com dinheiro, status. Uma camponesa não poderia comer tão bem quanto uma mulher nobre, logo, ela seria magra e pouco desejada pela sua visível condição social.
 Mas, atualmente, os estereótipos são gratuitos e sem fundamento. Não existe razão social notável para todos acharem que apenas as mulheres magras sejam bonitas. Talvez tudo esteja resumido nisso. Razão social. Os clássicos pensavam e refletiam sobre sua realidade, sobre o que era lógico. Não defendo estereótipos, mas, pelos menos eles tinham explicações plausíveis para ter os deles.
E nós? que explicações temos? Nenhuma. Porque ao contrário deles, nós que somos tão "avançados" socialmente, não paramos pra pensar nisso.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Crítica e preconceito

 Atualmente as pessoas não sabem mais a diferença entre preconceito e crítica. Não sei exatamente o que desencadeou essa onda de alienação, essa neura que as pessoas tem de estar sempre sendo perseguidas pelas opiniões das pessoas com quem elas não concordam como se fosse algo pessoal. O que a maioria não percebe é que não concordar com certas atitudes, hábitos e vertentes não te torna uma pessoa preconceituosa, te torna apenas alguém que tem capacidade intelectual suficiente para criticar o meio em que vive e decidir o que gosta ou não, o que é bom ou não para si próprio.
 Eu posso criticar qualquer atitude humana, além de poder criticar ideologias, gostos e comportamentos, dentro dos meus próprios limites éticos e dentro do meu espaço. Enquanto eu não estiver ofendendo nocivamente uma outra pessoa, eu tenho todo o direito de dizer o que penso, e posso faze-lo quando e onde bem entender. E isso não me tornará preconceituosa. Se as pessoas se contentam, se satisfazem e concordam (ou fingem concordar) com tudo, isso não significa que eu também seja obrigada a ter esse tipo de atitude conformista que não se enquadra no que eu acredito.
 Esse tipo de comportamento infantilizado, a repressão do pensamento e o ideal falido de que o mundo deve concordar em tudo como um todo, são, na minha opinião, as principais causas para vivermos em uma sociedade com pessoas cada vez menos independentes, menos capazes de decidir por si próprias o que realmente acham melhor para suas vidas.
 A idéia de um mundo globalizado, acabou gerando um processo meio cataclismico onde o que foi vendido e globalizado foi o conceito de individuo, e isso, pra mim, não é aceitável.