sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Poetas, palavras...

"Deusas não precisam de palavras"
Me disse um poeta uma vez. Apesar do imenso elogio e de ter ficado com cara de boba ao ler a frase, fiquei com ela ecoando em meus pensamentos e cheguei a conclusão de que nos apaixonamos mais por palavras que por pessoas....  Palavras são mais bonitas.
Por elas expressamos sentimentos que muitas vezes pessoalmente, não conseguimos expressar...

Por elas, nos apaixonamos pelos poetas, donos de habilidade ímpar em ordená-las de forma a encantar quem as lê, e fazer com que o leitor se imagine no lugar do poeta, sentindo a mesma alegria, tristeza ou paixão... Ou melhor ainda, no lugar da fonte de inspiração do poeta, quando as palavras que estão ali, são desejáveis de ser ouvidas pelo ser amado.

Penso que cansei de me apaixonar por pessoas, e habituei-me a estar encantada por palavras.   Ah... Esse incrível e fascinante mundo virtual!  Nele podemos ser incrivelmente amados, podemos deitar numa rede cibernética e imaginar um ser perfeito, exatamente ali ao nosso lado, sentindo o mesmo grande amor, concordando com cada palavra que escrevemos, conjugando os mesmos verbos.

Incansavelmente, nos perdemos em nossos sonhos e anseios, e desenhamos na tela o perfil do nosso ideal de amor, de amizade, de seja lá qual for o nosso sentimento no momento...  Até a tristeza fica linda e perfeita, quando a colocamos em forma de prosa e poesia!   

Poetas e palavras...  Palavras e poetas...

Como não amá-los?

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A liberdade sexual e os estereótipos

 Vou começar o texto com uma pergunta: quais são, atualmente, os conceitos do que é bonito e aceitável e do que não é?
 Feita a pergunta, vamos entende-la. Hoje, postaram no facebook o video de uma mulher de calcinha e sutiã, dançando funk. Video apelativo e vulgar.
Isso é novidade pra alguém aqui? Acho que não. Motivo pelo qual não é novidade: se tornou normal. Agora, eu mencionei que a "dançarina" é gordinha e não condiz com os padrões com os quais todos estão acostumados? Por esse simples motivo, um video que seria muito mais um motivo de elogios que de criticas entre boa parte dos internautas se fosse uma mulher "gostosa" se apresentando, se tornou um video sobre o qual todos estão rindo e despejando criticas. Hipócritas.
 Não que eu ache justificável uma mulher chegar a esse nível degradante de necessidade de atenção e exposição da própria imagem, mas a questão aqui não é o que eu penso. A questão aqui são os fatos. E os fatos são os seguintes: nós vivemos em uma sociedade onde pouca coisa ou quase nada impera mais que os estereótipos e ideais de beleza. Enquanto se tem isso, uma mulher pode fazer praticamente tudo na internet ou em qualquer outro lugar, que pouca gente vai dizer alguma coisa. Agora tenta sair um pouco desses padrões. Eu me submeti a ver o video da gordinha dançando e um outro video, postado pouco depois, de uma dançarina de verdade, "como deve ser" dançando. Que diferença eu vi entre os dois vídeos? O corpo da bailarina. E isso foi tudo.
Fora isso, nada mudou: mesmo tipo de nome artístico apelativo, mesmo tipo de musica vulgar, mesmo tipo de dança, os mesmos passos, as mesmas jogadas de cabelo e olhadas "sensuais".
 Sendo assim, por que uma é exaltada como modelo enquanto a outra é ridicularizada? Por que a dançarina "molde" pode se sentir sexy, bonita, desejada e SATISFEITA com seu corpo, e uma mulher fora de todos esses padrões não pode? Ela só quis fazer exatamente o que a outra fez: se auto afirmar. Mas é incrível ver como os julgamentos foram diferentes.
 Vivemos em uma época "total flex", tudo é permitido. Temos liberdade de expressão de ideias, liberdade politica e liberdade sexual. Mas, se analisarmos realmente, nada disso é verdade. Nossas ideias, visão que temos do mundo e de nós mesmos, determinam nossa concepção de politica e de sexualidade. Por sexualidade eu digo: opção sexual, posse e domínio de nossos corpos.
Temos tudo isso, no entanto, grupos políticos continuam caçando a todo custo os opositores, homossexuais continuam sendo espancados e mortos todos os dias pelo modo de vida que levam, e pessoas que, tecnicamente, tem domínio sobre seus corpos, estão sendo julgadas cruelmente por quem não as acham "boas o suficiente" para fazerem o que fazem, por não se encaixarem nos estereótipos ditados.
 Isso, visto de um monto de vista histórico e sociológico, talvez fossa cômico se não fosse trágico. Afinal de contas, se voltarmos no tempo até o período clássico, podemos observar que os padrões de beleza eram totalmente diferentes (já viram um quadro de Vênus, Deusa da Beleza, idealizado naquela época?) e isso tinha um fundamento social. Naquela época, as mulheres gordinhas eram a tendencia, elas eram desejadas e vistas como superiores porque, se elas eram gordinhas, deduzia-se que elas comiam bem, e se elas comiam bem, logo, significava que elas tinham dinheiro pra fazer isso. Tudo estava relacionado com dinheiro, status. Uma camponesa não poderia comer tão bem quanto uma mulher nobre, logo, ela seria magra e pouco desejada pela sua visível condição social.
 Mas, atualmente, os estereótipos são gratuitos e sem fundamento. Não existe razão social notável para todos acharem que apenas as mulheres magras sejam bonitas. Talvez tudo esteja resumido nisso. Razão social. Os clássicos pensavam e refletiam sobre sua realidade, sobre o que era lógico. Não defendo estereótipos, mas, pelos menos eles tinham explicações plausíveis para ter os deles.
E nós? que explicações temos? Nenhuma. Porque ao contrário deles, nós que somos tão "avançados" socialmente, não paramos pra pensar nisso.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Persistência

 Tristonha sonhadora, com o mesmo anseio a sufocar teu peito a cada manhã, caminha em busca do ideal perfeito que é como o dia azul que se evapora... Mas mesmo assim vai atrás dele! Ignora tudo o que se diz a seu respeito.
Desdenha a sombra e adora a luz. Bendize a glória de seres livre, e canta, seja hoje! porque amanha é tenebroso e não podes ver além da curva que há nesta estrada pela qual palmilham teus pés.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Política x Politicagem

Com toda a certeza é muito mais fácil viver alienado em um mundo ilusório e perfeito do que bater de frente com a realidade que nem sempre é exatamente o que agente acha ou o que agente espera que seja. Ver as coisas como elas são, enxergar o mundo por trás do mundo, o governo, a politica, é algo realmente importante. Você ter conciencia dos problemas do meio em que você vive é meio caminho andado pra resolve-los. A outra metade disso consiste em iniciativa, estudo, suor, protesto. Mas ficar inerte e nem sequer se dar ao trabalho de saber o que acontece no pais não te torna apenas uma pessoa acomodada e conformista, te torna um idiota que merece ser governado por alguém ainda pior que você. Platão disse uma vez: O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam.
E ai entra outro problema, o que é ser política? (isso mesmo, ser, não fazer). O fato é, fazer politica e ser politica, são coisas totalmente diferentes. Na época dos antigos gregos a palavra política significava viver a cidade (literalmente aquele que viva na polis). O cidadão que pensava no que era melhor para o bem-estar de todos. Isso é ser politica. É governar por um bem maior, pela coletividade, o bem estar de todos como indivíduos e ao mesmo tempo, para a sociedade como um todo.
Em contra partida, fazer política é o que vemos os "políticos" fazendo nos dias de hoje. Se preocupando apenas consigo mesmos, usando o poder apenas pelo que é conveniente. O governo se tornou quase que totalmente elitista. Quase não se vê participação do povo, que já se conformou com a realidade de que "todo político é corrupto". Não sei o que me revolta mais: a deturpação do conceito de política, ou a deturpação da própria política pelos que estão no poder, mas que se avaliarmos a palavra original, não podem ser chamados de políticos.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A brevidade da vida

 Se um de nós morresse amanha, nada mudaria para o mundo, nenhuma diferença seria sentida pela população mundial. Nossa ausência somente seria sentida pelos que se importam conosco, e mesmo assim eu não acho que sejam muitos, sinceramente. A questão é a seguinte: as pessoas se acham tão grandes e importantes... Com seus dogmas, ideais falidos e irrefutáveis, suas verdades absolutas... Todos pensam que são indestrutíveis, que nada os ferirá e por isso eles podem fazer qualquer coisa. Justificam seus atos falhos e inconsequentes com a brevidade da vida, pelo fato de que o amanha talvez não virá. Mas nós não somos assim tão grandes! na verdade, a grandeza reside nas nossas ideias, nos nossos atos, e não em nós como Pessoas propriamente ditas. 
 O que somos nós em relação ao mundo? ao próprio universo? Não somos nada. Somos uma pessoa como tantas outras que passaram por esse teatro, saíram e foram esquecidas. È muita pretensão achar que algo nos difere além da real essência de nossas almas, que é a única coisa que levamos.
 Vejo que as pessoas tem dado valor as coisas erradas, que poucos estão investindo em algo realmente produtivo. Não é incomum vermos quem esteja gastando todo seu tempo com coisas fúteis, sem darem nenhuma importância ao futuro, limitando seus horizontes a irrealidade do simples e passageiro momento.
 Parece que pensam que suas vidas são ilimitadas, que sempre haverá mais uma oportunidade para fazerem certo o que eles sabem que estão fazendo errado. Mas não é bem assim. Um dia, todos vão acordar e ver o que perderam. O que suas vidas poderiam ter sido se tivessem se esforçado para alcançar seus objetivos. 
 Todos os dias fazemos escolhas. As vezes involuntárias e rotineiras, mas as vezes, decisivas. Estamos a todo momento escolhendo o próximo passo, a próxima palavra. Estamos constantemente decidindo o tipo de pessoas que somos e que seremos por muito tempo.  Pensar assim assusta um pouco, por que nos lembra quão frágil são nossas vidas, como são breves.
 Vivemos pensando que somos grandes, imbatíveis. Nada pode nos abalar. Nos enganamos tanto... Tudo nos sujeita e nos oprime. Uma mudança climática brusca, uma queda de pressão, uma arritmia cardíaca, e pronto. Tudo pelo que lutamos (ou não), tudo o que fomos, o que queríamos ter sido, nossos sonhos, projetos e planos, aprisionados pra sempre nas areias do tempo que com tamanha inconsciência vivemos desperdiçando. 
 Nascemos vazios, incompletos, e ao longo de nossas vidas nos enchemos de esperanças e projetos, que acabam se esvaindo, um a um, pela nossa falta de força de vontade. E assim seguem a maioria das vidas: sendo menos do que nasceram para ser, se permitindo serem menos do que são. Por nossa própria culpa, morremos cheios de sonhos e planos que não foram realizados. E todo o tesouro que tínhamos em nós, que nunca foi trazido ao mundo, é enterrado em longos vales de esquecimento, onde se juntam com os sonhos de outros, e formam assim um enorme cemitério, onde se encontra enterrado todo o real potencial da alma humana.
 O mal do século passado foi a depressão. E vejo que o mal do próximo século, ou até mesmo deste, será a síndrome de Peter Pan. Para os leigos: é um distúrbio psicológico onde a pessoa, já adulta, percebe que não quer mais crescer, que quer ter determinada idade para sempre, para poder viver e realizar coisas que não foram feitas na época devida. 
 Um dia, acordaremos com a sensação de que há algo faltando em nossas vidas, que poderíamos ter sido grandes e não fomos por preguiça, falta de vontade, perseverança, e tentaremos desesperadamente correr atrás de um tempo que a muito já se foi, sem jamais termos as mesmas oportunidades que tivemos. 
 Por isso, temos que tomar cuidado, e agirmos sempre da melhor forma possível, visando não só o agora, mas também o futuro. Para que um dia não nos olhemos no espelho e pensemos como pensou Oscar Wilde: "Como a vida fora uma vez delicada!".

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Prisões contemporâneas

 Hoje parei pra pensar em como as pessoas vivem presas. Dominadas, submetidas.  Escravas das coisas, das situações, das pessoas, do trabalho, das redes sociais e principalmente de si próprias... A verdade é que comecei a pensar nisso depois de uma proposta de redação um tanto diferente. E sobre o tema fiz tantas conjecturas que seriam necessárias várias redações pra falar tudo que eu estava com vontade de dizer, ou pelo menos mais linhas do que se pedia. Mas aqui não tenho restrições, então, se preparem.
 O fato é que pensar nisso perturbou por algum tempo as minhas definições de liberdade. Isso porque, talvez pela primeira vez, eu parei para vê-la sobre todos os pontos de vista ao mesmo tempo, e não de um ou outro de maneira isolada, o que me deu, por incrível que pareça, uma visão mais ampla do que eu teria conseguido com uma análise demorada do assunto. A rapidez das informações e ligações foram inacreditáveis.
 A verdade é que tudo nos sujeita e nos oprime, até mesmo as coisas que julgamos nos darem prazer. Um bom caso disso são as redes sociais. Este é um dos casos mais claros de como não nos damos conta do quão dependentes ficamos de algo que antes, não fazia tanta diferença.
 As incontáveis horas que passamos em frente ao computador, poderiam ser usadas de formas mais produtivas, temos um horizonte infindo ao nosso alcance, e muitas vezes nos limitamos a expor nossas vidas sem nenhum pudor. Vemos frequentemente pessoas que não tem um minimo de discernimento do que se é desnecessário divulgar. Uma série sem fim de vulgaridade, perda de tempo e de energia são gastas sem que nem ao menos consigamos nos dar conta disso.
 Mas, se levarmos em consideração a época em que vivemos, acharemos absolutamente normal. Isso porque achamos que estamos tão avançados tecnologicamente, que estamos livres de coisas tão ilusoriamente banais como o cerceamento de nossa própria liberdade. O que me leva a outro tema, não menos interessante ou complexo.
 Atualmente, é indispensável estudarmos e trabalharmos para conquistarmos um objetivo, e isto está absolutamente certo. O problema, é que muitas vezes, as pessoas perdem a noção do que é saudável. Não é incomum, por exemplo, vermos pessoas recebendo ligações do trabalho no meio de um dia de folga, no meio da noite. E todos estão tão absortos em suas vidas vazias e necessitadas de "algo mais" que não se dão conta de que se privam de viverem realmente para viverem trabalhando. Claro que é necessário o esforço, a final há contas que precisam ser pagas, mas ao mesmo tempo somos pessoas, e como pessoas, precisamos de tempo para sermos de fato pessoas. (entenderam?)
 Ninguém está imune, e todos precisamos nos dar conta do que nos cerca e do que temos como prioridade. E em uma sociedade como a atual, onde os valores estão totalmente invertidos e pouco se pensa de maneira aprofundada sobre qualquer questão, temo que seja dificil concientizar a maioria de todos esses fatos. Mas é evidente de que precisamos analisar a maneira como vivemos para saber se estamos de fato vivendo ou apenas passando por aqui sem um real propósito.
 Claro que é impossível mudarmos de um dia para o outro um tipo de comportamento ao qual já nos acostumamos. A mudança de pensamento e ação precisa de tempo, mas para isso, é necessário que estejamos dispostos a usar isso a nosso favor.
 È incrível como as pessoas perdem as rédeas das próprias vidas, e se tornam tão absurdamente sem graça, superficiais e vulgares. E as criaturas vulgares não possuem encanto algum. Não há beleza em suas personalidades. Não pelo fato de cometerem erros, porque todos os cometemos, mas simplesmente pelo fato de que não se dão conta nem querem mudar isso. Isso é tão comum. E o comum não excita a imaginação.
 Precisamos realmente parar para pensar no tipo de pessoas que somos agora. Pois como já diria Oscar Wilde: "somos o que somos, e seremos sempre o que temos sido."

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Crítica e preconceito

 Atualmente as pessoas não sabem mais a diferença entre preconceito e crítica. Não sei exatamente o que desencadeou essa onda de alienação, essa neura que as pessoas tem de estar sempre sendo perseguidas pelas opiniões das pessoas com quem elas não concordam como se fosse algo pessoal. O que a maioria não percebe é que não concordar com certas atitudes, hábitos e vertentes não te torna uma pessoa preconceituosa, te torna apenas alguém que tem capacidade intelectual suficiente para criticar o meio em que vive e decidir o que gosta ou não, o que é bom ou não para si próprio.
 Eu posso criticar qualquer atitude humana, além de poder criticar ideologias, gostos e comportamentos, dentro dos meus próprios limites éticos e dentro do meu espaço. Enquanto eu não estiver ofendendo nocivamente uma outra pessoa, eu tenho todo o direito de dizer o que penso, e posso faze-lo quando e onde bem entender. E isso não me tornará preconceituosa. Se as pessoas se contentam, se satisfazem e concordam (ou fingem concordar) com tudo, isso não significa que eu também seja obrigada a ter esse tipo de atitude conformista que não se enquadra no que eu acredito.
 Esse tipo de comportamento infantilizado, a repressão do pensamento e o ideal falido de que o mundo deve concordar em tudo como um todo, são, na minha opinião, as principais causas para vivermos em uma sociedade com pessoas cada vez menos independentes, menos capazes de decidir por si próprias o que realmente acham melhor para suas vidas.
 A idéia de um mundo globalizado, acabou gerando um processo meio cataclismico onde o que foi vendido e globalizado foi o conceito de individuo, e isso, pra mim, não é aceitável.