domingo, 22 de maio de 2016

Do not do gentle into that good night

"Não adentre a boa noite apenas com ternura
A velhice queima e clama ao cair do dia
Fúria, fúria contra a luz cujo esplendor já não fulgura."
Depois de ler esse trecho da poesia de Dylan Thomas, pensei no capitulo 5 de Mateus, a partir do versiculo 14: "Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo da cama, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." Depois de comparar os dois, cheguei a conclusão de que esta poesia poderia muito bem ser uma resposta de Deus. Resposta a todos aqueles que como cristãos, não são luz. Não são porque não falam sobre a palavra e sobre a salvação, não tem compaixão das pessoas, são mentirosos, blasfemos, desonestos e principalmente porque não transparecem o amor de Cristo em suas vidas. Cristãos com discursos de ódio, com atitudes más, egoistas, que não estendem a mão a quem precisa. Tudo isso gera algo contrário a luz, contrário as boas obras citadas por Mateus, que eu quero chamar de mal testemunho. Claro que ninguem é perfeito, nenhum de nós nunca vai conseguir deixar de errar. Mas devemos tentar ser imitadores de Jesus, como Paulo propôs. Quando nem tentamos ser melhores, e, nos dizendo "crentes" ignoramos os principios de Deus, desobedecemos expressamente o que esse capitulo propõe. Pois o que as pessoas veem em nós não é um convite a mudança de vida, o que elas veem em nós não as atraem para o evangelho e para a Graça nem as fazem ver em nós um Deus digno de adoração, mas as distanciam. Elas olham e veem pessoas como todas as outras, e por dizerem crer em algo e agir de outra maneira, até piores, pela hipocrisia. Nesse momento, somos a luz que já não fulgura. Não podemos adentrar a boa noite, a morte, apenas com ternura. Apenas tendo ido a igreja todos os domingos exaltar um evangelho que não vivemos, e dizendo que Jesus é nosso salvador sem nos submetermos a ele. Pois a velhice queima e clama ao fim do dia quanto a tudo que não fomos, não fizemos ou fizemos errado. Corremos o risco de perceber que fomos por toda a vida uma luz que não brilhou, pois ninguem viu a glória de Deus atraves dela. Antes, fomos uma candeia colocada em baixo da cama. Corremos o risco de um dia nos encontrarmos face a face com Deus e vermos em seu rosto apenas fúria. Fúria contra a luz cujo esplendor já não fulgura.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Moldurando sentimentos

Como posso olhar teu rosto assim
E ver em teus olhos o brilho da MINHA vida?

Como posso colocar em teus braços
O calor do meu corpo que se foi?

Como posso ainda sentir tuas mãos no meu corpo,
Moldurando sentimentos que só se formam ao toque delas?

Como posso ainda sentir a tua respiração,
Como posso ainda ouvir a tua voz,
E me fazer surda à todos os outros chamados?

Como posso sentir ainda teu cheiro em mim,
E a tua presença esta em todas as coisas:
Nos lugares onde vou, em tudo o que faço,

E em meus sonhos,
onde posso novamente encontrar teus olhos
sem que saibas...

...Como posso?

terça-feira, 12 de abril de 2016

Caminhos de Deus

Sentada na minha loja observando quem passa, observo um menino de aproximadamente 5 anos e sua mãe passarem.
Ele anda olhando pros lados, pra cima, se demorando, mas sem prestar muita atenção em nada. A mãe vai puxando, quase que arrastando o menino absorto na paisagem, sem o menor esforço. Ela esta simplesmente andando.
Enquanto andam, ele se vira para olhar a vitrine da otica, quase parando totalmente de frente pra ela, como quem viu algo pelo qual vale a pena parar no meio do caminho. Mas a mãe continua andando como se nada tivesse acontecido, levando o menino pra onde ele deve ir. Ele, por sua vez, nem olhava pra ela, mas seguia sua direção.
Observando isso, cheguei a conclusão que nós somos o menino e Deus é a mãe. Muitas vezes não temos ideia do que estamos fazendo ou pra onde estamos indo durante a vida. Olhamos em volta, distraidos por todos os acontecimentos e os prazeres, tudo o quanto achamos digno de ser olhado. Mas as vezes, paramos em frente a uma vitrine. As vezes, algo é maior em nós do que todo o resto que está ao redor, algo finalmente nos é digno de atenção e temos vontade de parar e ficar ali mesmo apreciando aquele amor, aquele momento, aquele emprego, aquelas amizades. Mas Deus, em sua infinita sabedoria, sabe que ainda temos um caminho a percorrer até chegarmos onde ele sonhou pra nós, como a mãe sabe que precisa levar o filho pra casa embora ele não se de conta disso.
Devemos ser como esta criança, que apesar de relutante em deixar pra trás o brilho encantador da vitrine e de, ao mesmo tempo, parecer nem notar a mãe que o está conduzindo para longe dali, confia nela e segue o chamado de quem ele sabe que é digno de confiança.
Que possamos confiar no caminho para o qual o Senhor nos conduz.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Concordar x discordar

Todos tem direito a ter opinião.
Eu posso ser a favor do que for, do casamento gay ao aborto, enquanto outra pessoa pode ser contra ambas as coisas. 
Os problema em relação a essa dicotomia são dois. Primeiro: atualmente, na maioria das vezes, quem tem uma opinião, seja ela qual for, não respeita a do outro. Então da mesma maneira que muita gente tem um preconceito e quer impor isso a todos, muitos que são a favor de algo querem impor que todos sejam. E NÃO É POR AI. Ninguém é obrigado a concordar com você, por mais que você se ache com a razão.
Segundo: sobre emitir opiniões. Usando um exemplo muito simples: há uma diferença muito grande entre pessoas que dizem "não concordo com a homossexualidade, não gosto, não acho certo, mas não tenho nada a ver com isso, cada um que viva como achar melhor; se eu tiver um filho gay, não vou concordar, não vou ficar feliz, mas é meu filho e eu amo" e os que dizem: "odeio viado, isso é errado, não aceito, tem que apanhar pra virar homem, tinham que morrer todos, se meu filho for gay eu tiro de casa". É completamente diferente as formas de sentir e expor a opinião. Ninguém nunca vai concordar com tudo em uma sociedade, e não podemos viver uma ditadura de opinião.
Então, todo mundo tem direito de ser a favor e de ser contra qualquer coisa. Não é crime ter um ponto de vista. O que ninguém tem é o direito de impor qualquer uma das duas coisas á ninguem. E todo mundo tem a obrigação de observar o próprio discurso, pois opinião violenta em qualquer dos casos, seja pra defender ou pra criticar, é crime sim.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Do racismo

 A maioria de vocês deve estar por dentro da mais recente polêmica do BBB: a esponja de louça cujos cabelos de um negro é a esponja. Isso dividiu a internet entre os que se sentiram ofendidos e aqueles que nos mandam "parar de ver racismo em tudo, pois a linha de esponjas também tem a rainha da Inglaterra, punks, e outros, e ninguém está reclamando. Então vamos lá.
Primeiro: Outros grupos não se incomodarem não quer dizer que não seja racismo aquilo a que estamos nos referindo. Se os punks não se importam, se a rainha da Inglaterra não se importa (lógico que não né, primeiro que o cabelo dela não tem nada a ver com isso, segundo: rainha, branca, inglesa e cristã... não tem com o que se sentir oprimida - além do fato de ser mulher - desculpa), não há o que se possa fazer.
Racismo não é medido pelo que outros grupos definem como sendo ou não. Se um negro vê preconceito em algo, nunca é sem motivo.
Pra quem passou a vida ouvindo que o cabelo parecia uma "bucha" ou um "Bombril", ver um boneco desses é pensar "olha, quem falava isso pra mim quando eu era criança (e até hoje) agora faz marketing". O sentimento é esse.
Pra mim é racismo. Porque eu me senti insultada.
Se os punks se importam, eles que se mobilizem, e quem mais tiver sido representado que se importa, que se mobilize. O movimento negro é o movimento NEGRO, lutamos por nos. Do mesmo modo que os gays lutam por eles. Claro que nós nos importamos com o que acontece na sociedade além dos nossos umbigos, mas por isso existem os movimentos, pra lutar por causas especificas. Eles que lutem por eles.
Imagina se em vez de uma bucha fosse um esfregão representado por uma pessoa branca e a parte do esfregão propriamente dito fosse os cabelos lisos e loiros. Ia ter gente com a cara de pau de falar de racismo inverso. Se fosse uma bucha de um homem de pijama listrado especial pra limpar o bujão de gás, imagina o quanto os judeus iam ficar revoltados com toda razão. É errado, todos os exemplos.
Não consigo deixar de ver racismo nisso. De ter vivido isso. Se você não vê, isso não muda nada.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Feminismo

O que me deixa mais puta com os argumentos de muitos homens sobre o feminismo, é que eles argumentam com base em coisa que eles não estão satisfeitos: "A mas e o alistamento militar obrigatório?" "vocês se incomodam com os esteriótipos de beleza femininos mas não dão tanta ênfase no mesmo problema em relação ao corpo dos homens", etc. Tudo muito legítimo em sua substância. Mas a grande questão é: nós lutamos contra essas coisas e contra MUITAS outras porque nos incomoda, nos oprime. Somos privadas de muito a muito tempo. Se vocês se sentem incomodados e oprimidos seja lá pelo que for, por que não se organizam também pra lutar contra isso? Não é mais simples, mais lógico e mais eficaz do que encher o saco toda vez que falamos alguma coisa?
Lutem vocês contra o alistamento obrigatório ou lutemos todos nós pra que tenhamos oportunidades iguais, porque nós ainda estamos lutando pra poder estar por livre e espontânea vontade nas forças armadas. Pesquisem e vão saber que só ANO PASSADO, em 2014 depois de muita LUTA tivemos a primeira turma de mulheres na marinha, na aeronáutica não é diferente. Critiquem vocês a objetificação e idealização dos corpos masculinos, porque nós já estamos fazendo isso. Nós já questionamos por que não há fraldários nos banheiros de vocês, entre outras questões que eu quase nunca vejo homens levantarem uma bandeira em CAUSA PRÓPRIA.
Ninguém além de nós luta pelo que nós queremos. E é muita pretensão querer que só com vocês seja diferente. 
E sobre a louça pra lavar? Nossa... a famigerada louça pra lavar... se vocês não tiverem mais nenhum argumento, não usem esse. Podem ter certeza que das nossas pias cuidamos nós. Cresçam e vão vocês lavar suas próprias louças ao invés de criticar o que vocês não vivem.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

"Não pode aqui"

Assisto, de manhã, a seguinte cena: um menino de no máximo 15 anos vendendo bala no metrô, entra um guarda: "não pode vender aqui." Ele sai. Enquanto o vagão está partindo é possivel ver os dois caminhando juntos em direção a saída. 
A noite, o mesmo menino, no mesmo vagão que eu. Novamente assisto: "meu nome é Pedro, desculpem o incomodo. Minha irmã perdeu o emprego e minha mãe está doente. Estava vendendo bala de manhã e ofereceria pra vocês se os guarda não tivessem tomado elas tudo." Nesse ponto ele começa a chorar. "É muito humilhante ter que pedir mas se alguem puder me ajudar, que Deus abençoe". As pessoas se compadecem. As bolsas abrem, as moedas fazem barulho, ele recolhe agradecido: "Deus te pague". Ouço passos. Eu não vi o guarda no fundo do vagão, nem Pedro, mas ele viu: "não pode pedir aqui."
O menino agradece a todos e sai. 
Não pode vender aqui. Não pode pedir aqui. 
O que será que ele vai tentar agora? Tomara que a irmã consiga um emprego, espero não ver o rosto de Pedro estampado em um jornal qualquer se referindo a ele como "menor".