As pessoas deviam levar isso pra vida e ver que existe uma faixa amarela em tudo.
O cartão tem um limite que se ultrapassado pode nos endividar; o alcool, quando exageramos nos leva a coisas que jamais faríamos sóbrios. Comer mais do que podemos, dormir menos do que deveriamos, trabalhar e estudar mais do que conseguimos. Faixa amarela, de um passo pra trás.
Do mesmo modo, interiormente temos limites que devem ser respeitados: não se aproxime de mais dos medos, ansiedades e paranóias das pessoas pois você pode cair nos trilhos e ser atingido por um trem que nem viu chegar. Por outro lado, você pode facilmente ser esse vagão que atropela os outros, não intencionalmente, mas porque invadiram seu espaço: ultrapassaram sua linha amarela. O que se pode fazer é emitir avisos de segurança como o metrô: nessa tristeza você não mexe, nesse assunto por favor não toque, respeite minha fé, meu passado e o que quero do futuro. Mantenha a sí a ao outro seguro.
Quem sabe assim consigamos as vezes embarcar com segurança em um trem que nos leve a algum lugar.
sábado, 18 de julho de 2015
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Conto de fadas
No metrô, passa um homem: short e regata, bolsa de academia. Ninguém repara. Só um cara cuidando de sua própria vida usando as roupas que escolheu pra malhar: ninguém tem nada com isso.
Em seguida, entra uma moça: legging, tênis, regata. Bolsa de academia. Ela desce na estação seguinte, mas as roupas que ela escolheu são da conta de todos, que se perguntam, aos burburinhos, como essas "piriguetes" não sentem frio e se "pra malhar precisa mesmo disso".
E o machismo não existe, isso é tudo fantasia de mulher vitimista.
Em seguida, entra uma moça: legging, tênis, regata. Bolsa de academia. Ela desce na estação seguinte, mas as roupas que ela escolheu são da conta de todos, que se perguntam, aos burburinhos, como essas "piriguetes" não sentem frio e se "pra malhar precisa mesmo disso".
E o machismo não existe, isso é tudo fantasia de mulher vitimista.
segunda-feira, 6 de julho de 2015
"Somos todos Maju"
O recente caso de racismo na internet contra a apresentadora de meteorologia da rede Globo Maria Júlia, e a comoção do público que resolveu protestar subindo a tag "somos todos Maju" me fez refletir sobre as atitudes das pessoas tanto online quanto no cotidiano.
No dia a dia, muitos (disse muitos, não todos, veja bem) usam expressões como "nossa, que serviço de preto" se referindo a um trabalho mal feito ou "amanha é dia de branco", como se não tivesse sido os negros que trabalharam pra erguer o império. Você não é Maju.
Tem também o "você é tão bonita, porque não arruma/penteia/prende/alisa esse cabelo?" "Porque usa esses turbantes?". Você acha normal o núcleo negro da novela ser a vagabunda, a empregada, o bandido mau caráter, o ladrãozinho de viela? Ta enraizado. Você não é Maju.
Quando você vê um negro na rua, você muda de calçada, senta em outro lugar no ônibus porque ele parece suspeito e acha normal que a polícia pare mais negros nas blitz e que os enquadre mais na rua pelo mesmo motivo. Você não faz nada quando presencia uma situação de racismo.Você não é Maju.
Você tem vergonha de se auto declarar negro e se diz "moreninho/mulato/moreno escuro" ou se refere assim as pessoas pois acha que dizer que ela é negra é uma ofensa. Qual é a vergonha da sua cor? Da cor dos outros? É aquela que a parcela da sociedade que agora se declara como Maju colocou em você.
Muitos de fato se comoveram pois de fato são contra o racismo, acredito que muitos realmente sejam Maju em seu sentido mais amplo de luta e aceitação.
Mas a maioria não. A maioria tem que parar pra se analisar.
No dia a dia, muitos (disse muitos, não todos, veja bem) usam expressões como "nossa, que serviço de preto" se referindo a um trabalho mal feito ou "amanha é dia de branco", como se não tivesse sido os negros que trabalharam pra erguer o império. Você não é Maju.
Tem também o "você é tão bonita, porque não arruma/penteia/prende/alisa esse cabelo?" "Porque usa esses turbantes?". Você acha normal o núcleo negro da novela ser a vagabunda, a empregada, o bandido mau caráter, o ladrãozinho de viela? Ta enraizado. Você não é Maju.
Quando você vê um negro na rua, você muda de calçada, senta em outro lugar no ônibus porque ele parece suspeito e acha normal que a polícia pare mais negros nas blitz e que os enquadre mais na rua pelo mesmo motivo. Você não faz nada quando presencia uma situação de racismo.Você não é Maju.
Você tem vergonha de se auto declarar negro e se diz "moreninho/mulato/moreno escuro" ou se refere assim as pessoas pois acha que dizer que ela é negra é uma ofensa. Qual é a vergonha da sua cor? Da cor dos outros? É aquela que a parcela da sociedade que agora se declara como Maju colocou em você.
Muitos de fato se comoveram pois de fato são contra o racismo, acredito que muitos realmente sejam Maju em seu sentido mais amplo de luta e aceitação.
Mas a maioria não. A maioria tem que parar pra se analisar.
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Megalópole
A poesia me consome. Queima, arde. Mas não sai.
Se instalou nas pontas dos meus dedos, no fundo do meu peito. Sinto-a escorrer pelos cantos dos olhos e da boca, que constatam uma realidade tão diferente do poema que sinto e desperdiçam frases avulsas em meio a um mundo ainda mais avulso a si mesmo.
A poesia me consome. Queima, arde. Mas não sai.
Vai pelas ruas onde constato a dualidade das coisas: As lojas, o shopping, o banco. A pobreza iminente.
Os restaurantes, os bares, a cafeteria frondosa. A fome impiedosa.
As propagandas, outdoors, comerciais, as rede sociais. A carência.
Os celulares, tablets, notebooks. A distância.
Os livros, revistas, bancas de jornal, os portais. A desinformação.
As casas, prédios, os conjuntos habitacionais. O vento. O frio dos corpos e das almas vãs.
Os saltos altos, sapatos e tênis de marca. Os pés descalços nas calçadas. As pessoas não se lembram de onde vieram nem sabem pra onde vão.
Os grafites, pichações, os artistas de rua. Vozes que gritam em meio ao silencio sem serem ouvidas.
A poesia consome. Queima, arde.
A cidade.
Se instalou nas pontas dos meus dedos, no fundo do meu peito. Sinto-a escorrer pelos cantos dos olhos e da boca, que constatam uma realidade tão diferente do poema que sinto e desperdiçam frases avulsas em meio a um mundo ainda mais avulso a si mesmo.
A poesia me consome. Queima, arde. Mas não sai.
Vai pelas ruas onde constato a dualidade das coisas: As lojas, o shopping, o banco. A pobreza iminente.
Os restaurantes, os bares, a cafeteria frondosa. A fome impiedosa.
As propagandas, outdoors, comerciais, as rede sociais. A carência.
Os celulares, tablets, notebooks. A distância.
Os livros, revistas, bancas de jornal, os portais. A desinformação.
As casas, prédios, os conjuntos habitacionais. O vento. O frio dos corpos e das almas vãs.
Os saltos altos, sapatos e tênis de marca. Os pés descalços nas calçadas. As pessoas não se lembram de onde vieram nem sabem pra onde vão.
Os grafites, pichações, os artistas de rua. Vozes que gritam em meio ao silencio sem serem ouvidas.
A poesia consome. Queima, arde.
A cidade.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Epifanias
Penso que a dificuldade de um fotógrafo em conseguir capturar uma cena exatamente da forma como a viu, com olhos únicos, encontrando em um momento a beleza que ninguém mais conseguiu notar é a mesma de quem escreve de conseguir expressar em palavras uma ideia, uma situação, um sentimento da forma que estes o acometeram, exatamente como o atordoaram... De modo que as lentes, câmeras, papéis e as inúmeras canetas tem o mesmo intuito: transmitir e imprimir a alma do artista.
terça-feira, 9 de junho de 2015
Sobre senso de espaço
Creio que todos estejam cientes da polemica que ocorreu na parada LGBT desse fim de semana, onde uma transexual, Viviany, foi representada pregada sobre a cruz. Creio que todos já se posicionaram e agora é minha vez.
Penso que os dois lados estão errados. Eu compreendi perfeitamente a mensagem que tentou ser passada pela trans na parada. Entendo perfeitamente que não foi uma sátira e sim uma alegoria, uma analogia entre o sofrimento de Cristo na cruz, que foi marginalizado, perseguido e morto pela maioria e a dos homossexuais que sofrem o preconceito e o descaso da sociedade como um todo, foi um pedido de socorro, eu compreendo. Porem, por usarem o simbolo sagrado de uma religião que, apesar se pregar o amor de Deus como pai (veja bem que pai é um ser que te ama independente de qualquer coisa, mas não concorda com tudo que você faz) e que todos podem ser salvos (quando querem), tem princípios bem fundamentados de que homossexualidade é pecado, logo, a imagem se torna controversa e é compreensivel a insatisfação da comunidade cristã, mesmo que vocês "sejam responsáveis pelo que falam e não pelo que os outros entendem", dizer que não esperavam o tumulto é muita pretensão e inocência.
Por outro lado, os cristãos, sejam evangélicos ou católicos, embora estejam certos em defender o simbolo que representa sua fé de ser vinculado ao que a mesma não prega, já que "Deus não se deixa escarnecer" (gálatas 6-7) e que "Quem o confessar na terra, Jesus tambem o confessará no céu" (lucas 12.8) estão errados na forma como lidaram com a situação e como estão "confessando" a Deus, mostrando não o amor de Cristo, a paciência e a compreensão que é pregada pelo mesmo, mas ódio. Não é errado defender o que se acredita, mas creio que existe a maneira certa de fazê-lo, Cristo disse em colossenses 3:11-15: "Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou. Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito.
Que a paz de Cristo seja o juiz em seus corações, visto que vocês foram chamados a viver em paz".
Dito isso, penso que não existe quem esteja 100% certo ou errado nesse contexto e acredito que a fé e sua representação legitima deve ser defendida pelos que nela creem e que a comunidade LGBT, enquanto pessoa e cidadãos que são, devem ser livres para escolher o que quiserem de suas vidas, de seus corpos e crenças sem que ninguém se sinta no direito de interferir ou de opinar onde não foi chamado.
Cada um na sua cama. Cada um com sua fé.
Cada um no seu quadrado.
Penso que os dois lados estão errados. Eu compreendi perfeitamente a mensagem que tentou ser passada pela trans na parada. Entendo perfeitamente que não foi uma sátira e sim uma alegoria, uma analogia entre o sofrimento de Cristo na cruz, que foi marginalizado, perseguido e morto pela maioria e a dos homossexuais que sofrem o preconceito e o descaso da sociedade como um todo, foi um pedido de socorro, eu compreendo. Porem, por usarem o simbolo sagrado de uma religião que, apesar se pregar o amor de Deus como pai (veja bem que pai é um ser que te ama independente de qualquer coisa, mas não concorda com tudo que você faz) e que todos podem ser salvos (quando querem), tem princípios bem fundamentados de que homossexualidade é pecado, logo, a imagem se torna controversa e é compreensivel a insatisfação da comunidade cristã, mesmo que vocês "sejam responsáveis pelo que falam e não pelo que os outros entendem", dizer que não esperavam o tumulto é muita pretensão e inocência.
Por outro lado, os cristãos, sejam evangélicos ou católicos, embora estejam certos em defender o simbolo que representa sua fé de ser vinculado ao que a mesma não prega, já que "Deus não se deixa escarnecer" (gálatas 6-7) e que "Quem o confessar na terra, Jesus tambem o confessará no céu" (lucas 12.8) estão errados na forma como lidaram com a situação e como estão "confessando" a Deus, mostrando não o amor de Cristo, a paciência e a compreensão que é pregada pelo mesmo, mas ódio. Não é errado defender o que se acredita, mas creio que existe a maneira certa de fazê-lo, Cristo disse em colossenses 3:11-15: "Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou. Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito.
Que a paz de Cristo seja o juiz em seus corações, visto que vocês foram chamados a viver em paz".
Dito isso, penso que não existe quem esteja 100% certo ou errado nesse contexto e acredito que a fé e sua representação legitima deve ser defendida pelos que nela creem e que a comunidade LGBT, enquanto pessoa e cidadãos que são, devem ser livres para escolher o que quiserem de suas vidas, de seus corpos e crenças sem que ninguém se sinta no direito de interferir ou de opinar onde não foi chamado.
Cada um na sua cama. Cada um com sua fé.
Cada um no seu quadrado.
Coerência
Fico pensando que tem muito cristão que me faz entender porque tanta gente é conta Deus e a igreja, talvez pensem que todos são igualmente estúpidos e que o indivíduo represente a totalidade de uma fé. Jesus é mais do que aqueles que não entenderam suas palavras e agem como se fossem santos e não pecadores a serem salvos. Jesus é amor.
Da mesma forma, alguns homossexuais condenam toda a comunidade LGBT a ser repudiada pela maneira como agem, com tanta intolerância a outros setores da sociedade quanto o que eles mesmos sofrem. Os gays são mais do que "desajustados que precisam ser curados". São pessoas. Merecem amor.
Jesus é amor. Tão entendendo?
Ele veio pelos pecados do MUNDO. Dos gays, dos héteros que transam antes do casamento, dos mentirosos, dos hipócritas, dos que desobedecem os pais, dos que não respeitam o chefe, dos que vem a pobreza e não estendem a mão, dos que traem, dos que matam, dos que não creem.
Entendam isso, não existe "pecadinho e pecadão" a homossexualide, biblicamente é pecado? SIM, além de todos esses citados anteriormente. Estão na mesma bíblia que você usa pra CRUCIFICAR seus semelhantes sem olhar no espelho. Estamos todos errados em algum ponto e você NÃO MERECE mais o amor de Deus do que qualquer outra pessoa por seus pecados serem diferentes dos delas. Isto porque na verdade não há nem um homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque (eclesiastes 7-20).
Vamos tomar cuidado com o que condenamos. Cuidado com quem você diz que "vai pro inferno" e com os pecados que você aponta nas pessoas, porque com a mesma medida que medirdes, sereis medidos tambem (Lucas 6.43:38) e porque não estamos aqui pra julgar. Jesus é o único Justo Juiz (2 Timóteo 4:8) você não, você fica de boa.
Da mesma forma, alguns homossexuais condenam toda a comunidade LGBT a ser repudiada pela maneira como agem, com tanta intolerância a outros setores da sociedade quanto o que eles mesmos sofrem. Os gays são mais do que "desajustados que precisam ser curados". São pessoas. Merecem amor.
Jesus é amor. Tão entendendo?
Ele veio pelos pecados do MUNDO. Dos gays, dos héteros que transam antes do casamento, dos mentirosos, dos hipócritas, dos que desobedecem os pais, dos que não respeitam o chefe, dos que vem a pobreza e não estendem a mão, dos que traem, dos que matam, dos que não creem.
Entendam isso, não existe "pecadinho e pecadão" a homossexualide, biblicamente é pecado? SIM, além de todos esses citados anteriormente. Estão na mesma bíblia que você usa pra CRUCIFICAR seus semelhantes sem olhar no espelho. Estamos todos errados em algum ponto e você NÃO MERECE mais o amor de Deus do que qualquer outra pessoa por seus pecados serem diferentes dos delas. Isto porque na verdade não há nem um homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque (eclesiastes 7-20).
Vamos tomar cuidado com o que condenamos. Cuidado com quem você diz que "vai pro inferno" e com os pecados que você aponta nas pessoas, porque com a mesma medida que medirdes, sereis medidos tambem (Lucas 6.43:38) e porque não estamos aqui pra julgar. Jesus é o único Justo Juiz (2 Timóteo 4:8) você não, você fica de boa.
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