terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A homossexualidade e a sociedade

 Sempre que eu vejo religiosos extremistas ou mesmo pessoas que se dizem "mente aberta" condenando os "pecados" dos outros, me pergunto se essas pessoas já pararam pra pensar nas próprias vidas.
Existe uma coisa em particular, sobre a qual essas pessoas adoram palpitar e vomitar preconceito: opção sexual. Já cansei de ver páginas, tanto normais quanto (principalmente) evangélicas, condenando os homossexuais por seu "estilo de vida pecaminoso". Quantos pelo mundo já não foram as ruas protestar, simplesmente pelo fato de não concordarem com o que os outros fazem de suas próprias vidas? E eu me pergunto: será que esse tipo de gente tem visto o mundo como ele é? Existem tantos problemas, tantos pecados, e mesmo assim, em relação á eles, as pessoas se mantem alheias.
  É certo que também é pecado roubar, mas eu não vejo um grupo furioso de evangélicos protestando em frente ao senado ou na frente da casa de seus pastores corruptos. Não vejo os católicos extremistas com cartazes em frente ao Vaticano protestando contra a pedofilia cometida por muitos padres. Pessoas comuns julgam a homossexualidade como se seus próprios "pecados" sexuais fossem mais dignos, aceitáveis ou mais justificáveis. Adoram dizer que a homossexualidade não constitui família, mas muitos vivem em devassidão, com um parceiro ou mais por noite a cada fim de semana. Que tipo de família isso tem gerado? Sou hetero, mas não sou cega, estou vendo o que tem acontecido no mundo.
A verdade é que nesse caso, não existe pecado maior ou menor. Se fossemos ver assim, já estaríamos todos condenados. Todos pecamos.
  Vejo que o governo e as próprias pessoas, o povo, muitas vezes absolvem e reintegram assassinos, bandidos e pedófilos na sociedade, em altos cargos públicos, mas pessoas cujo único crime e pecado são um amor diferente, são discriminadas e mortas todos os dias. E todo aquele papo de amor cristão? de "amai ao próximo"? Todo mundo gosta tanto de citar a bíblia... Deus nunca disse: amai seu semelhante. Disse: "amai ao próximo". E disse mais: "Se somente amardes os que vos amam, que mérito se vos reconhecerá, uma vez que as pessoas de má vida também amam os que os amam?" (Lucas, 6:32). Sei muito bem, e todos também sabem, que do ponto de vista religioso e bíblico, TODOS os temas que eu tratei aqui, são pecados. Você, hetero que vive em devassidão, não está menos propenso a ser condenado ao inferno do que acha que um gay está. Mas é fácil só ver o pecado nos outros e não em nós.
  Um jovem americano foi expulso do exército por ter um relacionamento com um colega e disse em entrevista: "recebi medalhas e honra por matar mais de 10 homens na guerra, e fui banido e julgado por ter amado um".
Tendo em vista outro principio religioso, outra citação bíblica: "quem nunca pecou que atire a primeira pedra" ou " só quem te pode julgar é Deus", Que direito temos nós de julgar o amor dos outros?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Oração

Senhor, hoje eu vim falar contigo;
Eu não sei o que há comigo pra
estar vazia assim...
Meu olhar está molhado, meu sorriso
tão calado... Me perdi dentro de mim.
A minha alma está tão triste:
ela pensa que partiste, a deixando em solidão.
Há momentos em que a gente tem vontade
de deixar tudo e fugir.
E muitos vão morrendo nesta vida sem esperança.

Eu, porém, confio em tí.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Poetas, palavras...

"Deusas não precisam de palavras"
Me disse um poeta uma vez. Apesar do imenso elogio e de ter ficado com cara de boba ao ler a frase, fiquei com ela ecoando em meus pensamentos e cheguei a conclusão de que nos apaixonamos mais por palavras que por pessoas....  Palavras são mais bonitas.
Por elas expressamos sentimentos que muitas vezes pessoalmente, não conseguimos expressar...

Por elas, nos apaixonamos pelos poetas, donos de habilidade ímpar em ordená-las de forma a encantar quem as lê, e fazer com que o leitor se imagine no lugar do poeta, sentindo a mesma alegria, tristeza ou paixão... Ou melhor ainda, no lugar da fonte de inspiração do poeta, quando as palavras que estão ali, são desejáveis de ser ouvidas pelo ser amado.

Penso que cansei de me apaixonar por pessoas, e habituei-me a estar encantada por palavras.   Ah... Esse incrível e fascinante mundo virtual!  Nele podemos ser incrivelmente amados, podemos deitar numa rede cibernética e imaginar um ser perfeito, exatamente ali ao nosso lado, sentindo o mesmo grande amor, concordando com cada palavra que escrevemos, conjugando os mesmos verbos.

Incansavelmente, nos perdemos em nossos sonhos e anseios, e desenhamos na tela o perfil do nosso ideal de amor, de amizade, de seja lá qual for o nosso sentimento no momento...  Até a tristeza fica linda e perfeita, quando a colocamos em forma de prosa e poesia!   

Poetas e palavras...  Palavras e poetas...

Como não amá-los?

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A liberdade sexual e os estereótipos

 Vou começar o texto com uma pergunta: quais são, atualmente, os conceitos do que é bonito e aceitável e do que não é?
 Feita a pergunta, vamos entende-la. Hoje, postaram no facebook o video de uma mulher de calcinha e sutiã, dançando funk. Video apelativo e vulgar.
Isso é novidade pra alguém aqui? Acho que não. Motivo pelo qual não é novidade: se tornou normal. Agora, eu mencionei que a "dançarina" é gordinha e não condiz com os padrões com os quais todos estão acostumados? Por esse simples motivo, um video que seria muito mais um motivo de elogios que de criticas entre boa parte dos internautas se fosse uma mulher "gostosa" se apresentando, se tornou um video sobre o qual todos estão rindo e despejando criticas. Hipócritas.
 Não que eu ache justificável uma mulher chegar a esse nível degradante de necessidade de atenção e exposição da própria imagem, mas a questão aqui não é o que eu penso. A questão aqui são os fatos. E os fatos são os seguintes: nós vivemos em uma sociedade onde pouca coisa ou quase nada impera mais que os estereótipos e ideais de beleza. Enquanto se tem isso, uma mulher pode fazer praticamente tudo na internet ou em qualquer outro lugar, que pouca gente vai dizer alguma coisa. Agora tenta sair um pouco desses padrões. Eu me submeti a ver o video da gordinha dançando e um outro video, postado pouco depois, de uma dançarina de verdade, "como deve ser" dançando. Que diferença eu vi entre os dois vídeos? O corpo da bailarina. E isso foi tudo.
Fora isso, nada mudou: mesmo tipo de nome artístico apelativo, mesmo tipo de musica vulgar, mesmo tipo de dança, os mesmos passos, as mesmas jogadas de cabelo e olhadas "sensuais".
 Sendo assim, por que uma é exaltada como modelo enquanto a outra é ridicularizada? Por que a dançarina "molde" pode se sentir sexy, bonita, desejada e SATISFEITA com seu corpo, e uma mulher fora de todos esses padrões não pode? Ela só quis fazer exatamente o que a outra fez: se auto afirmar. Mas é incrível ver como os julgamentos foram diferentes.
 Vivemos em uma época "total flex", tudo é permitido. Temos liberdade de expressão de ideias, liberdade politica e liberdade sexual. Mas, se analisarmos realmente, nada disso é verdade. Nossas ideias, visão que temos do mundo e de nós mesmos, determinam nossa concepção de politica e de sexualidade. Por sexualidade eu digo: opção sexual, posse e domínio de nossos corpos.
Temos tudo isso, no entanto, grupos políticos continuam caçando a todo custo os opositores, homossexuais continuam sendo espancados e mortos todos os dias pelo modo de vida que levam, e pessoas que, tecnicamente, tem domínio sobre seus corpos, estão sendo julgadas cruelmente por quem não as acham "boas o suficiente" para fazerem o que fazem, por não se encaixarem nos estereótipos ditados.
 Isso, visto de um monto de vista histórico e sociológico, talvez fossa cômico se não fosse trágico. Afinal de contas, se voltarmos no tempo até o período clássico, podemos observar que os padrões de beleza eram totalmente diferentes (já viram um quadro de Vênus, Deusa da Beleza, idealizado naquela época?) e isso tinha um fundamento social. Naquela época, as mulheres gordinhas eram a tendencia, elas eram desejadas e vistas como superiores porque, se elas eram gordinhas, deduzia-se que elas comiam bem, e se elas comiam bem, logo, significava que elas tinham dinheiro pra fazer isso. Tudo estava relacionado com dinheiro, status. Uma camponesa não poderia comer tão bem quanto uma mulher nobre, logo, ela seria magra e pouco desejada pela sua visível condição social.
 Mas, atualmente, os estereótipos são gratuitos e sem fundamento. Não existe razão social notável para todos acharem que apenas as mulheres magras sejam bonitas. Talvez tudo esteja resumido nisso. Razão social. Os clássicos pensavam e refletiam sobre sua realidade, sobre o que era lógico. Não defendo estereótipos, mas, pelos menos eles tinham explicações plausíveis para ter os deles.
E nós? que explicações temos? Nenhuma. Porque ao contrário deles, nós que somos tão "avançados" socialmente, não paramos pra pensar nisso.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Persistência

 Tristonha sonhadora, com o mesmo anseio a sufocar teu peito a cada manhã, caminha em busca do ideal perfeito que é como o dia azul que se evapora... Mas mesmo assim vai atrás dele! Ignora tudo o que se diz a seu respeito.
Desdenha a sombra e adora a luz. Bendize a glória de seres livre, e canta, seja hoje! porque amanha é tenebroso e não podes ver além da curva que há nesta estrada pela qual palmilham teus pés.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Política x Politicagem

Com toda a certeza é muito mais fácil viver alienado em um mundo ilusório e perfeito do que bater de frente com a realidade que nem sempre é exatamente o que agente acha ou o que agente espera que seja. Ver as coisas como elas são, enxergar o mundo por trás do mundo, o governo, a politica, é algo realmente importante. Você ter conciencia dos problemas do meio em que você vive é meio caminho andado pra resolve-los. A outra metade disso consiste em iniciativa, estudo, suor, protesto. Mas ficar inerte e nem sequer se dar ao trabalho de saber o que acontece no pais não te torna apenas uma pessoa acomodada e conformista, te torna um idiota que merece ser governado por alguém ainda pior que você. Platão disse uma vez: O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam.
E ai entra outro problema, o que é ser política? (isso mesmo, ser, não fazer). O fato é, fazer politica e ser politica, são coisas totalmente diferentes. Na época dos antigos gregos a palavra política significava viver a cidade (literalmente aquele que viva na polis). O cidadão que pensava no que era melhor para o bem-estar de todos. Isso é ser politica. É governar por um bem maior, pela coletividade, o bem estar de todos como indivíduos e ao mesmo tempo, para a sociedade como um todo.
Em contra partida, fazer política é o que vemos os "políticos" fazendo nos dias de hoje. Se preocupando apenas consigo mesmos, usando o poder apenas pelo que é conveniente. O governo se tornou quase que totalmente elitista. Quase não se vê participação do povo, que já se conformou com a realidade de que "todo político é corrupto". Não sei o que me revolta mais: a deturpação do conceito de política, ou a deturpação da própria política pelos que estão no poder, mas que se avaliarmos a palavra original, não podem ser chamados de políticos.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A brevidade da vida

 Se um de nós morresse amanha, nada mudaria para o mundo, nenhuma diferença seria sentida pela população mundial. Nossa ausência somente seria sentida pelos que se importam conosco, e mesmo assim eu não acho que sejam muitos, sinceramente. A questão é a seguinte: as pessoas se acham tão grandes e importantes... Com seus dogmas, ideais falidos e irrefutáveis, suas verdades absolutas... Todos pensam que são indestrutíveis, que nada os ferirá e por isso eles podem fazer qualquer coisa. Justificam seus atos falhos e inconsequentes com a brevidade da vida, pelo fato de que o amanha talvez não virá. Mas nós não somos assim tão grandes! na verdade, a grandeza reside nas nossas ideias, nos nossos atos, e não em nós como Pessoas propriamente ditas. 
 O que somos nós em relação ao mundo? ao próprio universo? Não somos nada. Somos uma pessoa como tantas outras que passaram por esse teatro, saíram e foram esquecidas. È muita pretensão achar que algo nos difere além da real essência de nossas almas, que é a única coisa que levamos.
 Vejo que as pessoas tem dado valor as coisas erradas, que poucos estão investindo em algo realmente produtivo. Não é incomum vermos quem esteja gastando todo seu tempo com coisas fúteis, sem darem nenhuma importância ao futuro, limitando seus horizontes a irrealidade do simples e passageiro momento.
 Parece que pensam que suas vidas são ilimitadas, que sempre haverá mais uma oportunidade para fazerem certo o que eles sabem que estão fazendo errado. Mas não é bem assim. Um dia, todos vão acordar e ver o que perderam. O que suas vidas poderiam ter sido se tivessem se esforçado para alcançar seus objetivos. 
 Todos os dias fazemos escolhas. As vezes involuntárias e rotineiras, mas as vezes, decisivas. Estamos a todo momento escolhendo o próximo passo, a próxima palavra. Estamos constantemente decidindo o tipo de pessoas que somos e que seremos por muito tempo.  Pensar assim assusta um pouco, por que nos lembra quão frágil são nossas vidas, como são breves.
 Vivemos pensando que somos grandes, imbatíveis. Nada pode nos abalar. Nos enganamos tanto... Tudo nos sujeita e nos oprime. Uma mudança climática brusca, uma queda de pressão, uma arritmia cardíaca, e pronto. Tudo pelo que lutamos (ou não), tudo o que fomos, o que queríamos ter sido, nossos sonhos, projetos e planos, aprisionados pra sempre nas areias do tempo que com tamanha inconsciência vivemos desperdiçando. 
 Nascemos vazios, incompletos, e ao longo de nossas vidas nos enchemos de esperanças e projetos, que acabam se esvaindo, um a um, pela nossa falta de força de vontade. E assim seguem a maioria das vidas: sendo menos do que nasceram para ser, se permitindo serem menos do que são. Por nossa própria culpa, morremos cheios de sonhos e planos que não foram realizados. E todo o tesouro que tínhamos em nós, que nunca foi trazido ao mundo, é enterrado em longos vales de esquecimento, onde se juntam com os sonhos de outros, e formam assim um enorme cemitério, onde se encontra enterrado todo o real potencial da alma humana.
 O mal do século passado foi a depressão. E vejo que o mal do próximo século, ou até mesmo deste, será a síndrome de Peter Pan. Para os leigos: é um distúrbio psicológico onde a pessoa, já adulta, percebe que não quer mais crescer, que quer ter determinada idade para sempre, para poder viver e realizar coisas que não foram feitas na época devida. 
 Um dia, acordaremos com a sensação de que há algo faltando em nossas vidas, que poderíamos ter sido grandes e não fomos por preguiça, falta de vontade, perseverança, e tentaremos desesperadamente correr atrás de um tempo que a muito já se foi, sem jamais termos as mesmas oportunidades que tivemos. 
 Por isso, temos que tomar cuidado, e agirmos sempre da melhor forma possível, visando não só o agora, mas também o futuro. Para que um dia não nos olhemos no espelho e pensemos como pensou Oscar Wilde: "Como a vida fora uma vez delicada!".