quarta-feira, 19 de julho de 2017

Uma análise do sistema academico brasileiro

Medicina é um curso elitista DE MAIS.
Apareceu um anuncio de uma facul: "Se inscreva para medicina com sua nota do enem". Pensei: Bom, vou me inscrever só pra ver se eu passaria.
Advinha? 370,00 de inscrição.
O curso já elimina candidatos NO ATO. É mais de 1/3 de um salário minimo pra se inscrever em algo que talvez você nem passe.
Mensalidade: 7,500. Periodo: integral.
Que pessoa normal consegue pagar esse valor de mensalidade sem trabalhar? Nenhuma. Precisa ter familia com dinheiro pra bancar a pessoa por 6 anos enquanto ela estuda. Ou você pode se meter no FIES e ter uma divida de exatos 540 mil ao fim de 6 anos nessa faculdade especifica. Nesse caso, voce precisa confiar que depois de 2 anos que terminou o curso vai estar ganhando pelo menos o valor referente a metade da mensalidade e conseguindo viver com o que sobrar.
"A mas tem faculdade pública." Tem sim. Usp: 75,5 candidatos por vaga. Unicamp: 200.
Pra passar você tem algumas opções: se matar de estudar sozinho em casa, contando com o ótimo ensino publico como base e video aulas no caso da maioria. Com boas escolas particulares, pra quem tem mais sorte. Quem é um pouco mais privilegiado pode fazer um cursinho vestibular que varia entre 99,00 mensais (henfil) á 2340,00 (especifico de med do etapa - pros que tem BASTANTE sorte.)
Assim você pode melhor que todos os seus concorrentes e conseguir uma vaga.
E mesmo que você seja um mestre Jedi dos estudos, que estudou a vida toda em escola pública, nunca fez ou conseguiu fazer um cursinho e passou em medicina numa publica, voce encontra outro empecilho: o curso é integral, lembra? Vai ter quem te banque pelos próximos 6 anos? Ótimo! Herói do proletariado representando em medicina. Se não... todo seu esforço vai pelo ralo porque mesmo tendo entrado você provavelmente não vai ter como se manter. Já considerou fazer pacto e vender a alma? Porque só assim...
Triste ver que o lindo discurso de igualdade que se ouve todos os dias é só lindo mesmo mas que não é verdade. Esse papinho furado de que "é só se esforçar"... é coisa de quem não pesquisou a realidade.
Eu poderia ser uma ótima oftalmologista.... Em outra vida.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Biblia x Feminismo

"A biblia e o feminismo podem andar juntos?"
Depende. Existem muitos direitos reivindicados pelo movimento feminista que são aprovados pela biblia, por mais que a maioria, tanto no mundo secular quanto cristão não saibam disso. Hoje, quero falar sobre o direito a herança e posse de terras.
Durante muito tempo em quase todas as sociedades, apenas os homens eram herdeiros e donos de propriedades. Podemos ver em filme de época como "orgulho e preconceito" que mesmo que um homem só tivesse filhas, esposas e nenhum irmão, a herança era dada ao parente do sexo masculino mais proximo.
E as mulheres lutaram contra isso por muitos anos no mundo inteiro. E no século XX, elas foram vitoriosas. Mas vamos falar do nosso pais.
No Brasil, apenas em 1962, com o "estatuto da mulher casada" é que foi previsto que as mulheres já não precisavam de autorização para poder receber herança, embora a carta da ONU de 1945 já colocasse homens e mulheres como iguais perante a lei, tendo os mesmos direitos e deveres. Mas, as reivindicações femininas a terras só foram formalmente e completamente conquistadas em 1988 com a nova constituição, que estabelecia que, nas terras distribuídas atraves de reforma agrária e herança "o titulo de dominio e a concessão de uso serão conferidos ao homem e a mulher, independente do estado civil", artigo189. Somente nesse ponto da história as mulheres brasileiras conquistaram o direito de possuir e herdar sem precisar de autorização pra isso, como qualquer homem podia.
Agora, vamos ver o que a biblia diz sobre o direito feminino a posse e herança:
"E chegaram as filhas de Zelofeade, e estes são os nomes delas: Maalá, Noa, Hogla, Milca, e Tirza. E apresentaram-se diante de Moisés, e diante de Eleazar, o sacerdote, e diante dos príncipes e de toda a congregação, à porta da tenda da congregação, dizendo: Nosso pai morreu no deserto, e não estava entre os que se congregaram contra o Senhor no grupo de Coré; mas morreu no seu próprio pecado, e não teve filhos. Por que se tiraria o nome de nosso pai do meio da sua família, porquanto não teve filhos? Dá-nos posse entre os irmãos de nosso pai. E Moisés levou a causa delas perante o Senhor. E falou o Senhor a Moisés, dizendo: As filhas de Zelofeade falam o que é justo; certamente lhes darás possessão de herança das terras entre os irmãos de seu pai; e a herança de seu pai farás passar a elas. E falarás aos filhos de Israel, dizendo: Quando alguém morrer e não tiver filho, então fareis passar a sua herança à sua filha. E, se não tiver filha, então a sua herança dareis a seus irmãos. Porém, se não tiver irmãos, então dareis a sua herança aos irmãos de seu pai. Se também seu pai não tiver irmãos, então dareis a sua herança a seu parente, àquele que lhe for o mais chegado da sua família, para que a possua; isto aos filhos de Israel será por estatuto perpetuo de direito, como o Senhor ordenou a Moisés." Números 27:1-11.
As narrativas do livro de Numeros segundo estudiosos, tanto céticos como religiosos, são atribuidas ao periodo entre os anos de 1512 A.c a 1473 A.c.
É muito claro nesse texto a reivindicação de um grupo de irmãs as posses de seu pai falecido. E mais claro ainda que Deus, através de seu profeta Moises, estabeleceu como Lei para todo o povo de Israel que dali pra frente, todas as mulheres hebréias (e cristãs, pois se o fundamento é perpétuo se estende ao cristianismo) tinham o direito a receber as heranças de seus pais.
Logo, temos uma pauta do feminismo totalmente fundamentada na biblia, permitida e dada como direito por Deus, milenios antes do movimento feminista existir.
Se as mulheres continuaram sendo oprimidas e privadas dessas coisas apesar do estatuto estabelecido pela biblia, tanto pela cultura cristã/católica, apoiadora desse absurdo por muitos seculos, quanto da secular como cumplice e depois como principal autora, foi por conta da arrogância, machismo, falta de interpretação e vontade de seguir o que dizia a biblia e de dividir direitos vindos dos homens e não de Deus.